Meus investimentos + novidades (janeiro, 2019)

Olá, pessoal. No bimestre passado, muitas coisas aconteceram na minha vida profissional, e isso, claro, impactará diretamente minha capacidade de aporte. Falarei sobre essas mudanças no final do texto.

O fechamento deste bimestre, referente a dezembro + janeiro, conta com aportes de janeiro + fevereiro. Em janeiro, aportei o valor usual de R$1900, e em fevereiro, R$2100, devido às novidades profissionais que comentarei em breve. Os aportes totalizaram, portanto, R$4000. Mesmo com minha mudança de apartamento em janeiro, consegui manter o aporte firme. Isso se deveu ao fato de que eu não tive que pagar o aluguel completo do mês, e, no meu novo apartamento, consegui um acordo para não pagar o aluguel da metade do mês restante.

Rendimento da carteira e renda passiva no bimestre

Somente TIMP3 avermelhou-se, mas estou considerando continuar com esse papel por causa dos dividendos adequados e porque seus fundamentos não estão ruins.

Ativo Anterior Atual Variação
IPCA+ 2024 R$ 7.586,37 R$ 8.059,30 6,23%
IPCA+ 2035 R$ 3.046,91 R$ 3.435,47 12,75%
IPCA+ JS 2026 R$ 10.445,29 R$ 11.031,39 5,61%
Prefixado 2023 R$ 4.689,06 R$ 5.116,06 9,11%
Selic 2023 R$ 3.710,15 R$ 3.776,66 1,79%
CDB Maxima 124% R$ 3.094,78 R$ 3.158,70 2,07%
CDB Agibank 121,5% R$ 4.124,76 R$ 4.208,39 2,03%
BOVA11 R$ 2.528,40 R$ 2.841,00 12,36%
TIMP3 R$ 2.416,00 R$ 2.320,00 -3,97%
HGLG11 R$ 2.755,00 R$ 2.920,00 5,99%
VISC11 R$ 2.098,20 R$ 2.151,00 2,52%
AEFI11 R$ 2.338,50 R$ 2.400,00 2,63%
FAED11 R$ 2.060,00 R$ 2.260,00 9,71%
Carteira R$ 50.893,42 R$ 53.677,97 5,47%
Renda passiva R$ 54,28 R$ 133,06 145,14%

A renda passiva subiu bastante porque no bimestre anterior investi em dois FIIs, que só contribuíram para a renda passiva neste bimestre.

Investimentos em janeiro/fevereiro

Neste bimestre, realizei as seguinte operações:

Ativo Tipo C/V Quantidade Preço unitário Total
BOVA11 ETF V 30 R$ 94,72 R$ 2.841,60
SBSP3 ACAO C 100 R$ 37,88 R$ 3.788,00
CMIG3 ACAO C 100 R$ 15,64 R$ 1.564,00
DEVANT RF FUNDO C R$ 1.900,00

Pela primeira vez, investi num fundo de renda fixa. Ele é de liquidez diária e tem batido constantemente o CDI por uma boa margem.

Tenho lido bastante nos últimos meses sobre análise fundamentalista*, a fim de diversificar meu portfólio na renda variável. Apesar de não acreditar no oba-oba corrente para que aproveitemos os “lucros explosivos” da bolsa, decidi aumentar a exposição a renda variável, mas de forma bastante cautelosa – note que escolhi empresas “seguras”, com foco em dividendos & valorização. Infelizmente, renda fixa tá ficando pra trás.

(*) Vi no blog Vida Rica este post a tempo de aproveitar a promoção dos livretos da Suno Research sobre dividendos, contabilidade e FIIs: estavam todos de graça! Li-os todos.

Desfiz-me do BOVA11 por causa do oba-oba. Não curto oba-oba. Gosto de lucro no bolso! No final das contas, comprei o papel a R$83,36 e o vendi a R$94,72. Uns 12% de rentabilidade em uns 4 meses. Achei adequado.

Abri mão, pelo menos por ora, de investir em ETFs. Estava namorando o IVVB11 mas meu perfil é mais de fazer as coisas por conta própria mesmo, é mais divertido. Então vou escolher minhas empresas manualmente. Além disso, não gosto de ter que pagar imposto sempre que precisar me desfazer de um ETF! (Imposto de 15% sobre o ganho, sem aquela benesse de ações, que permite vendas isentas de até R$20 mil.)

Escolhi SBSP3 porque tem indicativo P/VP aceitável, dívida líquida decrescente, patrimônio líquido crescente, margem líquida bem interessante, e bom histórico de dividendos. Há algum tempo o mercado já precificou a possível privatização, mas no dia em que comprei, estava numa baixa temporária convidativa para o ingresso.

Escolhi a CMIG3 por razões semelhantes, apesar de a margem estar numa decrescente, e a dívida líquida não estar muito confortável.

A carteira atual está assim:

2019_01_total

Possivelmente, em breve, ainda vou me desfazer de alguns papeis do Tesouro por causa da valorização crescente que tem experimentado nos últimos meses. Com isso, a expectativa de valorização no médio/longo prazo fica cada vez menor. Pelos cálculos que fiz recentemente, se vendê-los agora, bastaria encontrar algum papel com rendimento bruto de cerca de 8,5% ao ano para substituí-los, e a operação já teria valido a pena. Isso ainda tá meio alto, então vou ficar com os papeis até esses 8,5% caírem um pouco mais.

Comentários & novidades

Meu objetivo profissional é me tornar professor de universidade pública – desde criança, assistindo às aulas, eu ficava me perguntando: “como poderia explicar tal assunto de forma mais interessante?”. Ao longo do tempo, fui nutrindo cada vez mais esse sonho, que se tornou meu principal objetivo profissional. Fui monitor, professor voluntário num cursinho pré-vestibular, professor particular de várias matérias e, de forma geral, sempre me animo bastante quando tenho alguma atividade que exija que eu prepare & explique algum material a outrem.

Mas para que realmente tenha chances (e maior remuneração) numa universidade pública, preciso concluir um doutorado – fiz meu mestrado já pensando nisso. No final de 2018, apliquei ao doutorado de uma universidade federal bastante conceituada na minha área, e passei!, inclusive, numa colocação que me permitirá receber bolsa do CNPq. O curso começará em março.

Como eu pretendia concluir o doutorado o mais rapidamente possível, decidi que não conciliaria com meu atual emprego. Preparei-me, então, para comunicar minha saída da startup. Sugeri um tempo em que eu trabalharia parcialmente (com uma redução bruta de salário, mas aumento proporcional) para auxiliar o novo funcionário, e depois de 2 meses, eu me desligaria completamente.

Eis que o diretor da empresa me vem com uma proposta que eu não previa: “seja meu sócio*”. Pra isso, eu teria que continuar integralmente na empresa, e também receberia um aumento, além da participação na empresa. Pedi um tempo para pensar.

(*) Na verdade, é um termo chamado “vesting”, segundo o qual a empresa (normalmente startups não-lucrativas) tenta garantir a permanência de funcionários-chave por meio do gradual aumento de participação do funcionário na empresa. Por exemplo: “daqui a 5 anos você terá 5% da empresa”, logo, se o funcionário sair em 1 ano, ele terá 1%, e assim por diante. A alternativa, antigamente, era já colocar o funcionário no contrato social da empresa. A partir desse momento, o funcionário já pode se desligar que sua participação vai continuar incólume. Isso é ruim pra empresa.

Durante esse tempo, avaliei várias coisas: quem eu quero ser no futuro?, qual o impacto que quero fazer no mundo?, qual será o melhor caminho para minha família? Decidi que quero ser professor; quero impactar milhares de pessoas através do meu exemplo, para que se tornem pessoas melhores, mais inteligentes & amorosas; a carreira de professor universitário será melhor para a minha família.

Ao mesmo tempo, eu sabia que essa oportunidade era ímpar, e que esse diretor é muito gente fina; temos uma relação muito franca & amigável. Meu cérebro primitivo, que está sempre em busca de situações pitorescas, me urgia para aceitar essa oportunidade. Apesar de a startup ainda não ser lucrativa, somos a única empresa que trabalha com determinada tecnologia no Brasil, e uma das poucas no mundo nesse ramo. Meu fraco tino de mercado me diz que podemos ascender meteoricamente em qualquer momento. Ter uma participação num negócio desse pode garantir minha independência financeira.

Resumindo: eu quero tudo!, quero os dois mundos!

Mas eu precisava construir uma contraproposta plausível. Eu sou ciente que o trabalho que faço na empresa é bem feito, e que não sou facilmente substituível, então tenho algum poder de barganha.

Então minha contraproposta ao diretor foi: aceito fazer parte da sociedade, com as responsabilidades inerentes, mas minha carga de trabalho será reduzida de 40h para 16h, e meu salário, de R$3200 para R$2000. O diretor aceitou somente se minha carga fosse de 20h (2 dias inteiros + 4h remotas). Fechamos negócio.

Como a maior parte do meu trabalho será na universidade, me mudei para perto dela (dá pra ir a pé!), mas agora preciso ir de ônibus ao trabalho (~1h de distância). Vários pontos positivos surgiram, entretanto: sempre consigo ir sentado no ônibus, então são cerca de 2h de leitura por dia; estou dividindo apartamento com 2 outros pós-graduandos, então meus custos mensais (aluguel, condomínio, luz, água, internet, alimentação, outros), que antes eram ~R$1300, agora estão na faixa de R$900, já com o transporte; meu salário total vai aumentar, considerando que terei a bolsa CNPq de R$2200: total líquido de quase R$4200*.

(*) Serei pago pela empresa via pessoa jurídica, o que não é proibido para bolsistas.

Enfim, essas foram as novidades. Terei que ser forte para conciliar essas duas atividades com comprometimento e dedicação.

Abraços

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Marins
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Xx

Marins
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Primeiro parabéns, pelo progresso e pela não empolgação que está embalando o mercado. Bom, você tem tentado bem diversidade seus aportes, só acho que você peca bastante nas escolhas dos seus ativos. Seu foco é curto prazo? Trade? Se for, tudo bem, mas se está pensando em acumular patrimônio, 10, 15 anos, precisa focar em empresas com bons fundamentos. E existem empresas muito melhores do que a CEMIG que você escolheu. Outra coisa, CDBs, fundos de investimentos, são péssimos investimentos de longo prazo. ( Come-cotas, Imposto de renda, Entrada e saída de investidores do fundo faz com aja venda de… Read more »

Marins
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Marins

Sim, talvez eu use os CDBs quando estiver na fase de retiradas, usando várias datas de vencimento. Sabe, CDBs não ganham de nenhum título indexado à inflação, nem nesse momento de de baixos juros, sem falar no risco.
Quanto a CEMIG, só pelo falo de ter dedo de estado já me dá agonia, rsrs. Pode privatizar, pode não privatizar tb. Tipo, acho risco desproporcional tb.
No mais, tudo certo. Continue nesse caminho, foco em aumentar a renda e os aportes, o resto é consequência.

kspov
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kspov

Cara que legal a forma como está conduzindo as coisas. Acho que é isso aí mesmo. Aproveitar o bom momento do mercado e procurar melhores rentabilidades. Quer seja na RF ou RV. Não é preciso ter medo da RV desde que se saiba o que está fazendo. Análise fundamentalista e um pouco de cautela te fazem ter bons resultados, bem melhores que RF sem precisar se expor muito. Em relação a parte profissional. Fiquei com uma duvida. Caso vc consiga se tornar um professor universitário. Quanto ganha um professor na sua area numa universidade? Pq quem gosta de estudar e… Read more »